sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Lenitivo

Finalmente me livrei daquele peso que fui obrigada a carregar nas costas por meses. Você precisava de um apoio pra conseguir se locomover e eu só precisava de atenção. Éramos perfeitos. E o engraçado é reparar que o perfeito é completamente imperfeito... Sinto-me aliviada por cuspir todo aquele amor que eu sentia. Por pegar o amor que VOCÊ dizia sentir, amassá-lo e jogá-lo no lixo. Como se nunca tivesse sido nada. O que podemos aprender com a perda de tempo? Tenho me perguntado muito isso. Sei, aliás, tenho plena certeza, que devo tirar algo de bom, algum aprendizado, de tudo isso. E o meu maior aprendizado deve ser aquele que eu tanto ouvi: “você devia ter me escutado”. Devia mesmo. Peço perdão à todos que se preocuparam e fizeram de tudo para eu perceber. É, algumas pessoas só aprendem depois de levar uma bela surra.

E com isso, tomei um banho para poder lavar tudo o que havia sobrado de você em mim. Tudo, tudo, dos pés à cabeça. Esvaziei uma mala que eu havia separado só para armazenar meus sentimentos desenfreados. Direto pro lixo. Apaguei cada lembrança, cada pedaço de você de dentro dessa casa. Fiz uma limpa, como dizem.

E agora posso dizer que estou saudável. É bom dizer adeus a quem nos deu todas as placas para isso, não é? É, é sim. Não me arrependo de ter chutado todas suas memórias, nada mais justo, afinal. 

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