terça-feira, 30 de agosto de 2011


"Por incrível que pareça, depois de receber más notícias que deveriam me fazer chorar ou ficar extremamente revoltada, eu não estou nem uma coisa nem outra. Na verdade eu estou rindo. Rindo da sua cara, rindo do que te aguarda, rindo da pessoa desprezível que você é. Não vou mentir que não sinto mais raiva nem mágoa nem rancor… E nem amor. Mas agora me surgiu um sentimento novo: pena. Muita pena. Porque meu bem, assim você não vai longe. Vai perder seus amigos um por um e sua dignidade você já está perdendo aos poucos. Brinca, continue brincando de ser feliz que uma hora você cai do cavalo. E eu vou continuar rindo até o momento em que eu cansar de você e começar a sentir o que você realmente merece que sintam por você: absolutamente nada."

Créditos: http://feelmyserpentine.wordpress.com/

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Mútuo

Ele dizia palavras doces, ela o fazia delirar. Ele tinha olhos brilhantes que a hipnotizava, ela o tocava de um jeito único. Ele encostava seu nariz no dela, ela ria com o gesto delicado. Ele gostava de sentir a respiração dela, ela adorava a sensação que tinha quando o abraçava. Ele gostava de sentir a maciez da mão dela, ela adorava beijar a pontinha do nariz dele. Ele dizia que ela era a única, ela prometia que seria pra sempre.

Ele pensava em outra pessoa quando estava com ela, ela imaginava tocar o rosto daquele amor antigo quando tocava o dele. Ele dizia amá-la querendo, na verdade, dizer isso para aquela menina que se foi há muito tempo.

Ambos sentiam falta de outras pessoas. Ambos se completavam baseados na saudade. Um buscava no outro o que faltou naquela última vez.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Home - Homeless


Sou do tipo de pessoa que tropeça nos próprios pés, que se engana com as próprias palavras. Nunca foi fácil. Ninguém disse que seria. Queria ser mais prática, enxergar sempre o caminho mais fácil e, então, segui-lo. Mas ninguém disse que é fácil.

Queria poder ter evitado todas as vezes que você foi embora, me deixando apenas uma carta com 5 ou 6 palavras de despedida. E o tempo te trazia de volta. E te levava de novo. Você sempre deixava uma peça de roupa como garantia do seu retorno.

Na última vez, você não deixou nada. Nem mesmo a sua corriqueira carta de despedida, com 5 ou 6 palavras. Nem uma mísera palavra. Um cheiro, um anel, uma sujeirinha. Nada.

Só restaram as coisas intangíveis de você. E essas coisas são o que fazem você parecer mais longe, mais inatingível. Você virou um sonho. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Interurbano

Alô, sou eu... Espera, não desliga! Tenho uma coisa importante pra te falar. Eu sei, eu sei que eu não te procurei. Espera! Me ouve, é importante. É importante, eu já disse! Eu passei muito tempo sem te procurar porque... Eu não vou inventar nada, não desliga! Eu fiquei esse tempo todo longe porque eu queria esquecer de tudo, curtir a minha vida. Pensar em me apegar em alguém de novo me assustava. O que? Não, eu não consegui curtir a minha vida. Não sei se você vai acreditar, mas fiquei em casa, trancado no quarto, tentando mandar no meu coração. Ele pedia você, mas minha cabeça pedia liberdade. Não, não quis dizer que você me prende... Eu quero fazer tudo certo dessa vez. Você está me ouvindo? Disse que quero fazer tudo certo... Não, por favor, não me diz que é tarde. Já sei! Vamos voltar no tempo. Como se nada tivesse acontecido, prometo te dar as estrelas, se você me pedir. Parece exagero, eu sei. Por que você não aparece aqui? Aparece, vai... Certo, estou te esperando. Ah, antes de você desligar. Eu te amo. Até daqui a pouco, beijos.

Ela nunca apareceu.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"Eu queria te contar que não dói mais. Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso.
Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei. Ok, chorei. Mas pelo filme, e não por você.
Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias. Porque elas me faziam mais falta do que você fez.


Os nossos lugares não são mais nossos. Eu já voltei lá com outras pessoas, e escrevi lá outras histórias...
Eu estou aprendendo a tocar violão. E a primeira música que toquei foi aquela música que era uma espécie de hino pra nós dois. Ela é tão linda...e sim, ela continua sendo muito nossa e lembrando demais você. Mas ainda sim, não dói.
Você não pergunta essas coisas, mas sei que gostaria de saber. Porque te conheço. E isso não mudou.
Do mesmo jeito que adivinhei as coisas ruins que você aprontaria, eu sei as coisas boas que ficaram aí em você e te fazem lembrar de mim.


Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga.
E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.


(Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim.)"



Caio F. Abreu
"Esquece. Não vou atrás de ninguém. Não mais. Ontem eu quis desesperadamente a sua companhia lá naquele banco da praça, quis ficar ali com você a noite toda se pudesse. E quando fui embora pensei em te ligar, dizer pra voltar amanhã, vir me fazer sorrir. Mas não. Hoje eu acordei e pensei que seria melhor não, eu não quero me apegar em ninguém, não quero precisar de ninguém. Quero seguir livre, entende? mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho. Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez em quando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim!"


Caio F. Abreu

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Esperando

Admito que algumas dessas vontades foram efêmeras, mas isso não significa que tenham sido fracas. Tomaram meu pensamento por dias. Uma palavra: era tudo o que eu queria. E agora eu estou mergulhando nesse mar ácido de arrependimento.

Nós pensamos “eu era feliz e não sabia”, mas como seria se eu nunca tivesse tentado?

Fico pensando como teria sido se eu tivesse alcançado o meu objetivo. Não estou decepcionada. Não poderia estar. Não nego que esperei por algo, mas você não tinha a obrigação de aceitar.

Eu preciso voltar, voltar para o que eu era.

Mas bem que poderia ser diferente...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Querer, querer e querer

Tem muitas coisas que eu gostaria de mudar, tanto na vida, como em mim mesma. Queria que essa casa fosse térrea, seria mais cômodo para a minha preguiça. Queria que eu pudesse cancelar algumas de minhas ações (para não dizer voltar atrás, o que ficaria demasiadamente clichê). Queria que você estivesse mais presente, queria poder te ver todo dia e te dizer tudo que eu queria. Gostaria que você soubesse que tudo que eu digo é real, queria poder dizer isso ao mundo, fazê-los entender. Queria que você não pensasse tanto e agisse simplesmente porque quer agir. Queria deitar contigo apenas para sentir tua companhia e não pensar em mais nada.

Queria fazer mais parte da sua vida.
Queria poder sair daqui.
E queria te levar comigo.

sábado, 13 de agosto de 2011

Pés cansados


Hoje resolvi falar sobre o meu fracasso. Sim, eu fracassei. Fracassei quando te conheci e você tomou aquela forma tão encantadora que não me deixou ver outra saída a não ser dizer sim pra ti e pra todos os seus desejos. Fracassei quando corri atrás na primeira chance que eu tive de desistir. Estava escrito em todos os lugares que as suas meias não serviam nos meus pés, só eu que não vi esses cartazes. Fracassei na segunda, terceira, quarta, quinta, sexta chance... Na verdade, perdi a conta de quantas chances foram. Só lembro-me que no fim, aqueles cartazes  que me alertavam, no começo, já tinham virado outdoors com direito à luz néon. Nesse momento, eu enxergava o que eles queriam dizer, porém não conseguia absorver aquela informação (ou apenas rejeitava). 

Quando finalmente entendi e tive uma oportunidade real de me livrar, já era tarde demais: suas meias estavam costuradas em meus pés. Tentei descosturá-las a todo custo, mas quanto mais eu tentava, mais elas se fixavam na minha pele. Suas meias são fracas demais para seguirem sem um apoio, tudo que elas precisam é um par de pés, mas você sabe, os meus não são ideais. Meus pés estão calejados e suas meias são muito novinhas e cheirosas.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Lenitivo

Finalmente me livrei daquele peso que fui obrigada a carregar nas costas por meses. Você precisava de um apoio pra conseguir se locomover e eu só precisava de atenção. Éramos perfeitos. E o engraçado é reparar que o perfeito é completamente imperfeito... Sinto-me aliviada por cuspir todo aquele amor que eu sentia. Por pegar o amor que VOCÊ dizia sentir, amassá-lo e jogá-lo no lixo. Como se nunca tivesse sido nada. O que podemos aprender com a perda de tempo? Tenho me perguntado muito isso. Sei, aliás, tenho plena certeza, que devo tirar algo de bom, algum aprendizado, de tudo isso. E o meu maior aprendizado deve ser aquele que eu tanto ouvi: “você devia ter me escutado”. Devia mesmo. Peço perdão à todos que se preocuparam e fizeram de tudo para eu perceber. É, algumas pessoas só aprendem depois de levar uma bela surra.

E com isso, tomei um banho para poder lavar tudo o que havia sobrado de você em mim. Tudo, tudo, dos pés à cabeça. Esvaziei uma mala que eu havia separado só para armazenar meus sentimentos desenfreados. Direto pro lixo. Apaguei cada lembrança, cada pedaço de você de dentro dessa casa. Fiz uma limpa, como dizem.

E agora posso dizer que estou saudável. É bom dizer adeus a quem nos deu todas as placas para isso, não é? É, é sim. Não me arrependo de ter chutado todas suas memórias, nada mais justo, afinal. 

Singelo


Então nos encontramos. Depois nos perdemos. Parece que durou segundos. Você fingia ser o que não era. Eu fingia acreditar. E assim nos dávamos bem. Bem demais para conseguirmos ser algo além do abstrato. Nós éramos perfeitos, na teoria. Na prática, algo sempre faltava. Talvez a verdade faltasse. Talvez nós faltássemos. No fim das contas, você pegou suas roupas, tomou um café frio e cuspiu um “se cuida”, sem realmente querer dizer isso. Saiu por aquela porta.

Você precisava se perder um pouco mais em mim. Você precisava parar de se preocupar e simplesmente ser. Faltou eu te dizer, mas você fechou a porta e me deixou voltar ao caos que era a minha vida. Senti falta de você me dizendo que tudo ia mudar, que o novo ia se transformar, de novo.

Eu te encontrei. Você se perdeu.

Senti falta de quando era despretensioso. Sobrou muita coisa desde que você fechou aquela porta. Faltou muita coisa.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Demasiadamente

Eu estava lá. Olhando em seus olhos como se fosse a última vez (o que, na verdade, era). Queria pegar em suas mãos, te dar segurança, te dar amor. Amor... Era o meu defeito, não era? Amor em demasia. Não soube como administrar todo aquele sentimento, não soube controlar. Já tinha lhe pedido desculpas inúmeras vezes, mas não apenas pelo amor em demasia, esse era o menor dos problemas. O maior era: meu amor em demasia havia se transformado em obsessão e paranoia. E aí foi que eu perdi o controle de vez, se é que já existia algum. Cheguei ao ponto de quase te trancar em meu armário, com medo de você sair e se encontrar com alguém, sei lá. Eu tinha raiva até dos seus pais, que passavam mais tempo contigo do que eu. Aquele amor, aquela obsessão, aquela paranoia estavam me sufocando. Eu mal respirava quando pensava em você, pois não pensava mais em coisas bobas de apaixonados; pensava em você com desconfiança, com angústia. Eu estava me afundando em desespero.

Quando o amor para de ser bom e passa a ser auto-destrutivo? Eu tinha passado dos limites?

Tudo o que eu mais queria era voltar ao início, quando o amor era puro e não sufocava, só fazia bem. Onde foi que nós nos perdemos? Onde foi que eu me perdi? E eu sei que, no final, aquela onda de sentimentos bons foi embora quase que “da noite para o dia”.

Nada estava igual, estávamos algemados um ao outro e aquilo não era mais uma relação de carinho. Era uma prisão. As palavras doces eram praticamente inexistentes, só havia aqueles olhares estranhos, palavras ríspidas, respostas cuspidas... Deus, por que o amor se transformara em um vale de lágrimas? Foi então que, naquele dia, nós nos olhamos profundamente, um procurando o que sobrou da alma do outro, e então entendemos, o que nós tanto temíamos chegara: o fim. E o fim não foi tão assombroso como eu esperava; foi silencioso, calmo e reconfortante. Eu voltei a dormir sem acordar durante a noite, voltei a respirar tranquilamente e, o mais importante, voltei a viver.

Não digo que te esqueci, pelo contrário, nunca irei. Apenas te acomodei no meu coração de forma que vocês (você e o coração) permaneçam intactos. Sem um machucando o outro. E não vejo motivos para tirar-lhe dali.

Black

Tardes frias e um bom café. Foi o que eu escolhi quando entrei naquele caminho sombrio. Tinha uma placa bastante nítida dizendo “Cuidado: solidão e angústia!”. Quem posso culpar, senão a mim mesma? Perdi o meu rumo, mas onde? Quando? Talvez naquela noite estranha que eu te encontrei. Você estava com os olhos brilhando de alegria, sua pele emanava doçura e eu jurava ter encontrado a solução dos meus problemas. Não obstante, encontrei a causa deles.

Lembro-me da forma como você me olhava ao acordar, com um fio de luz batendo em seu rosto angelical. Seu sorriso era daquele tipo que fazia as pessoas quererem sorrir também. Enquanto eu o observava, me perguntava se você estava mesmo ali, me olhando daquela forma, ou se era puro sonho.
Guardo suas meias na gaveta como se fossem diamantes. Você não voltou para buscá-las. Você não voltou para devolver o que de mais importante eu deixei com você: o meu coração. Você não voltou para dividir uma garrafa de vinho enquanto me conta sobre as brigas com a sua mãe.

Você não voltou de qualquer forma.

Tentei te procurar, mas falhei ao lembrar de seus olhos brilhando naquela primeira vez que te vi. Não tinha mais o direito de invadir a sua vida, de trocar a alegria da sua alma por melancolia. Guardei todos os meus sentimentos junto com as suas meias, para não me atingir mais, para te dar sossego.

Será?

Efêmero. Nunca tal palavra se encaixou tão bem quanto nesse contexto. Acho que, na verdade, essa palavra pode definir muitas outras coisas. Não estou falando sobre ganhos que não são valorizados, e sim sobre sentimentos. Esses sim são ótimos traíras, têm uma facilidade de ludibriar que chega até a ser incrível. Eles enganam tanto a si mesmo, como a quem se está proferindo tais ações frutos de suposto sentimento. É tudo passageiro, não tem como confiar.

E se...

Pensando no que foi, no que deixou de ser; encontro-me novamente nesta trilha oblíqua de dúvidas. Se valeria a pena tentar o outro caminho da bifurcação, se a minha consciência deixaria-me tentar sem interrupções. Arriscar. Ando precisando fazer isso. Deveria parar de refletir no que já foi, no que deixou de ser. Poderia ter sido. "E se...?"; pergunta aveludada no meu subconsciente.