Tardes frias e um bom café. Foi o que eu escolhi quando entrei naquele caminho sombrio. Tinha uma placa bastante nítida dizendo “Cuidado: solidão e angústia!”. Quem posso culpar, senão a mim mesma? Perdi o meu rumo, mas onde? Quando? Talvez naquela noite estranha que eu te encontrei. Você estava com os olhos brilhando de alegria, sua pele emanava doçura e eu jurava ter encontrado a solução dos meus problemas. Não obstante, encontrei a causa deles.
Lembro-me da forma como você me olhava ao acordar, com um fio de luz batendo em seu rosto angelical. Seu sorriso era daquele tipo que fazia as pessoas quererem sorrir também. Enquanto eu o observava, me perguntava se você estava mesmo ali, me olhando daquela forma, ou se era puro sonho.
Guardo suas meias na gaveta como se fossem diamantes. Você não voltou para buscá-las. Você não voltou para devolver o que de mais importante eu deixei com você: o meu coração. Você não voltou para dividir uma garrafa de vinho enquanto me conta sobre as brigas com a sua mãe.
Você não voltou de qualquer forma.
Tentei te procurar, mas falhei ao lembrar de seus olhos brilhando naquela primeira vez que te vi. Não tinha mais o direito de invadir a sua vida, de trocar a alegria da sua alma por melancolia. Guardei todos os meus sentimentos junto com as suas meias, para não me atingir mais, para te dar sossego.
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