Sou do tipo de pessoa que tropeça nos próprios pés, que se engana com as próprias palavras. Nunca foi fácil. Ninguém disse que seria. Queria ser mais prática, enxergar sempre o caminho mais fácil e, então, segui-lo. Mas ninguém disse que é fácil.
Queria poder ter evitado todas as vezes que você foi embora, me deixando apenas uma carta com 5 ou 6 palavras de despedida. E o tempo te trazia de volta. E te levava de novo. Você sempre deixava uma peça de roupa como garantia do seu retorno.
Na última vez, você não deixou nada. Nem mesmo a sua corriqueira carta de despedida, com 5 ou 6 palavras. Nem uma mísera palavra. Um cheiro, um anel, uma sujeirinha. Nada.
Só restaram as coisas intangíveis de você. E essas coisas são o que fazem você parecer mais longe, mais inatingível. Você virou um sonho.
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