quinta-feira, 1 de setembro de 2011

72 horas

O telefone não tocou. E nem vai tocar. Mas, mesmo assim, eu estou sentada frente à ele esperando uma ligação, exatamente como estive nas últimas 72 horas.

Gostaria de ler "você tem uma chamada perdida" no visor do celular, mas isso não aconteceu. E nem vai acontecer. Mas, mesmo assim, eu espero.

Tentei te ligar, mas falhei em todas as vezes que ouvi o primeiro chamado. Preciso aceitar que nada vai acontecer, mas eu ainda estou aqui. Esperando.

Peguei um livro para ler, tentei ver algum programa banal na televisão, mas nada me distrai. Por que você não liga de uma vez e acaba com essa angústia? Nem que seja só para falar que não pensa mais em nada relacionado a nós e que não quer mais saber. Por favor, me dê uma saída.

terça-feira, 30 de agosto de 2011


"Por incrível que pareça, depois de receber más notícias que deveriam me fazer chorar ou ficar extremamente revoltada, eu não estou nem uma coisa nem outra. Na verdade eu estou rindo. Rindo da sua cara, rindo do que te aguarda, rindo da pessoa desprezível que você é. Não vou mentir que não sinto mais raiva nem mágoa nem rancor… E nem amor. Mas agora me surgiu um sentimento novo: pena. Muita pena. Porque meu bem, assim você não vai longe. Vai perder seus amigos um por um e sua dignidade você já está perdendo aos poucos. Brinca, continue brincando de ser feliz que uma hora você cai do cavalo. E eu vou continuar rindo até o momento em que eu cansar de você e começar a sentir o que você realmente merece que sintam por você: absolutamente nada."

Créditos: http://feelmyserpentine.wordpress.com/

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Mútuo

Ele dizia palavras doces, ela o fazia delirar. Ele tinha olhos brilhantes que a hipnotizava, ela o tocava de um jeito único. Ele encostava seu nariz no dela, ela ria com o gesto delicado. Ele gostava de sentir a respiração dela, ela adorava a sensação que tinha quando o abraçava. Ele gostava de sentir a maciez da mão dela, ela adorava beijar a pontinha do nariz dele. Ele dizia que ela era a única, ela prometia que seria pra sempre.

Ele pensava em outra pessoa quando estava com ela, ela imaginava tocar o rosto daquele amor antigo quando tocava o dele. Ele dizia amá-la querendo, na verdade, dizer isso para aquela menina que se foi há muito tempo.

Ambos sentiam falta de outras pessoas. Ambos se completavam baseados na saudade. Um buscava no outro o que faltou naquela última vez.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Home - Homeless


Sou do tipo de pessoa que tropeça nos próprios pés, que se engana com as próprias palavras. Nunca foi fácil. Ninguém disse que seria. Queria ser mais prática, enxergar sempre o caminho mais fácil e, então, segui-lo. Mas ninguém disse que é fácil.

Queria poder ter evitado todas as vezes que você foi embora, me deixando apenas uma carta com 5 ou 6 palavras de despedida. E o tempo te trazia de volta. E te levava de novo. Você sempre deixava uma peça de roupa como garantia do seu retorno.

Na última vez, você não deixou nada. Nem mesmo a sua corriqueira carta de despedida, com 5 ou 6 palavras. Nem uma mísera palavra. Um cheiro, um anel, uma sujeirinha. Nada.

Só restaram as coisas intangíveis de você. E essas coisas são o que fazem você parecer mais longe, mais inatingível. Você virou um sonho. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Interurbano

Alô, sou eu... Espera, não desliga! Tenho uma coisa importante pra te falar. Eu sei, eu sei que eu não te procurei. Espera! Me ouve, é importante. É importante, eu já disse! Eu passei muito tempo sem te procurar porque... Eu não vou inventar nada, não desliga! Eu fiquei esse tempo todo longe porque eu queria esquecer de tudo, curtir a minha vida. Pensar em me apegar em alguém de novo me assustava. O que? Não, eu não consegui curtir a minha vida. Não sei se você vai acreditar, mas fiquei em casa, trancado no quarto, tentando mandar no meu coração. Ele pedia você, mas minha cabeça pedia liberdade. Não, não quis dizer que você me prende... Eu quero fazer tudo certo dessa vez. Você está me ouvindo? Disse que quero fazer tudo certo... Não, por favor, não me diz que é tarde. Já sei! Vamos voltar no tempo. Como se nada tivesse acontecido, prometo te dar as estrelas, se você me pedir. Parece exagero, eu sei. Por que você não aparece aqui? Aparece, vai... Certo, estou te esperando. Ah, antes de você desligar. Eu te amo. Até daqui a pouco, beijos.

Ela nunca apareceu.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"Eu queria te contar que não dói mais. Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso.
Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei. Ok, chorei. Mas pelo filme, e não por você.
Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias. Porque elas me faziam mais falta do que você fez.


Os nossos lugares não são mais nossos. Eu já voltei lá com outras pessoas, e escrevi lá outras histórias...
Eu estou aprendendo a tocar violão. E a primeira música que toquei foi aquela música que era uma espécie de hino pra nós dois. Ela é tão linda...e sim, ela continua sendo muito nossa e lembrando demais você. Mas ainda sim, não dói.
Você não pergunta essas coisas, mas sei que gostaria de saber. Porque te conheço. E isso não mudou.
Do mesmo jeito que adivinhei as coisas ruins que você aprontaria, eu sei as coisas boas que ficaram aí em você e te fazem lembrar de mim.


Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga.
E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.


(Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim.)"



Caio F. Abreu
"Esquece. Não vou atrás de ninguém. Não mais. Ontem eu quis desesperadamente a sua companhia lá naquele banco da praça, quis ficar ali com você a noite toda se pudesse. E quando fui embora pensei em te ligar, dizer pra voltar amanhã, vir me fazer sorrir. Mas não. Hoje eu acordei e pensei que seria melhor não, eu não quero me apegar em ninguém, não quero precisar de ninguém. Quero seguir livre, entende? mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho. Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez em quando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim!"


Caio F. Abreu